
O Ministério da Previdência Social suspendeu temporariamente o acesso de 167 peritos médicos federais ao sistema Atestmed. A medida ocorreu após uma auditoria identificar indícios de que esses profissionais estavam rejeitando pedidos de auxílio-doença de forma automatizada e sem analisar os laudos médicos enviados pelos cidadãos.
Principais irregularidades apontadas na auditoriaNegativas em massa: Enquanto a média nacional de recusas no Atestmed era de 46%, os médicos investigados ultrapassavam os 70% de rejeição. Um dos profissionais chegou a negar 96,6% dos pedidos em um único mês.
Tempo de análise irreal: Vários despachos de indeferimento eram concluídos no sistema em menos de cinco minutos, tempo considerado insuficiente para a leitura dos prontuários.
Justificativas idênticas: Os peritos utilizavam respostas padronizadas e genéricas para recusar os benefícios, sem realizar o enfrentamento individualizado de exames e relatórios apresentados.
Casos graves ignorados: Relatórios técnicos citaram a recusa do auxílio para segurados com quadros de saúde críticos, como o de uma gestante de 32 anos diagnosticada com câncer de mama que teve o pedido negado mesmo apresentando a biópsia.
O posicionamento dos envolvidosO Governo Federal informou que o bloqueio possui caráter técnico e preventivo. Os médicos passarão por um processo de reciclagem antes de recuperarem o acesso ao sistema. Caso o padrão se repita, eles poderão enfrentar processos administrativos com risco de demissão.
A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) acionou a Justiça contra a decisão. A entidade alega que os profissionais gozam de autonomia técnica e que a variação nos índices de resposta reflete o rigor clínico de cada servidor, acusando o ministério de tentar pressionar a categoria a aprovar pedidos para diminuir artificialmente as filas do INSS.
O que acontece com os segurados prejudicados?
Os processos decididos pelos profissionais sob investigação estão passando por uma revisão realizada por outros peritos federais para reverter indeferimentos injustos.
Se você teve um benefício por incapacidade negado recentemente, saiba que essa decisão não é definitiva. É possível buscar a correção por meio de um recurso administrativo no próprio INSS ou por meio de uma ação judicial
Por Leon Lopes da Silva, Diretor, jornalista e fotográfico do Jornal JRP INTERNACIONAL

























































