Na madrugada de 3 para 4 de agosto de 2009, do lado de fora do hotel Fiesta Inn, em Monterrey, no México, uma jovem de 21 anos começou a gritar na calçada.
Ela se chamava Gabriela Rico Jiménez e era descrita na época como modelo.
Segundo o que se noticiou, tinha participado naquela noite de um evento privado ligado ao mundo da moda.
Uma equipe do noticiário Info 7, da TV Azteca, registrou a cena.
Nas imagens, Gabriela aparece muito alterada, falando de forma desconexa, acusando os convidados da festa de terem "comido uma pessoa".
Ela cita figuras poderosas, fala de perseguição e diz ter sido mantida em cativeiro por um ano e quatro meses. Pede para ser solta.
A polícia chega e a leva dali. No vídeo, ela resiste na hora de entrar na viatura. Essa é a última imagem pública conhecida dela.
Supostamente, Gabriela foi levada a um centro psiquiátrico, e a partir daí seu rastro se perde.
Nenhuma das reportagens disponíveis apresenta documentos oficiais da polícia ou do governo mexicano sobre a detenção, a internação, a avaliação médica ou a situação legal dela depois daquela noite.
Nunca houve acompanhamento público sobre alta ou recuperação.
Existe uma pista posterior, pouco divulgada.
Em 2017, apareceu uma nota de uma prefeitura de Monterrey mencionando uma mulher com o mesmo nome, recolhida perambulando sem identificação e encaminhada ao setor de Trabalho Social.
Uma foto da mulher encontrada foi divulgada, e muita gente passou a comparar as imagens.
Ninguém conseguiu confirmar se era a mesma pessoa.
Com o tempo, o caso virou três histórias diferentes.
A primeira diz que Gabriela era uma denunciante que falou demais e foi silenciada.
A segunda diz que ela passou por uma crise grave de saúde mental que terminou em internação.
A terceira diz que o caso virou lenda de internet, alimentada por tabloides e podcasts que ganham dinheiro com o clique.
Nenhuma delas foi comprovada.
Uma das versões mais repetidas nas redes é a de que ela teria sido internada à força no hospital "La Colonia Alborada", perto de Córdoba, na Argentina — um lugar que foi denunciado em 2013 por manter pacientes em condições deploráveis.
Essa pista tem pouca credibilidade: não existe prova de transferência nem de decisão judicial.
A explicação mais provável é que alguém associou o nome dela a um centro psiquiátrico que já era conhecido por denúncias.
Em janeiro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou novos documentos ligados a Jeffrey Epstein.
O vídeo de 2009 voltou a circular, e muita gente passou a ver as falas de Gabriela associada ao Caso Epstein.
Entretanto, não existe prova verificada ligando o que ela disse ao caso Epstein.
O que existe são semelhanças de tema apontadas por comentaristas, não investigação.
O próprio vídeo não traz nenhuma evidência que sustente o que ela afirma, e não se conhece processo judicial público relacionado às declarações.
O paradero dela segue sem confirmação pública.
Redação JORNAL JRP INTERNACIONAL
Por Livyo Araújo, jornalista



































