Uma tecnologia desenvolvida no Brasil pode ajudar no tratamento de uma das complicações mais preocupantes do diabetes: as feridas nos pés que demoram a cicatrizar. A pesquisadora e professora Suélia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa, da Universidade de Brasília (UnB), lidera o desenvolvimento do RAPHA, um dispositivo portátil criado especialmente para auxiliar pacientes com úlceras do chamado pé diabético.
O tratamento combina duas tecnologias. Primeiro, uma biomembrana produzida a partir do látex natural é colocada sobre a ferida. Depois, o aparelho aplica luz vermelha de LED na região. Segundo os pesquisadores, o látex contribui para a formação de novos vasos sanguíneos, enquanto a luz atua na regeneração da pele e no processo de cicatrização.
Os resultados obtidos durante as pesquisas foram promissores. Em um ensaio clínico randomizado com 15 participantes, os grupos tratados com o sistema RAPHA apresentaram taxas médias de cicatrização de 77% e 80%, enquanto o grupo submetido ao protocolo convencional apresentou média de 51,4%. Os pesquisadores também observaram melhores resultados na reparação dos tecidos entre os pacientes que utilizaram a tecnologia.
Outro diferencial é que o RAPHA foi desenvolvido para ser portátil e de baixo custo, permitindo que parte do tratamento seja realizada na própria casa do paciente, sem dispensar o acompanhamento dos profissionais de saúde. Isso pode reduzir deslocamentos frequentes ao hospital e facilitar a continuidade do tratamento.
A tecnologia é resultado de quase duas décadas de pesquisas conduzidas pelo Grupo de Engenharia Biomédica da UnB. Além de acelerar a cicatrização, o objetivo é reduzir complicações graves do pé diabético, como infecções e lesões que podem evoluir e resultar em amputações.
O RAPHA já avançou em direção à produção: a tecnologia foi licenciada para uma empresa, teve sua segurança homologada pelo Inmetro e, segundo reportagem da Pesquisa FAPESP publicada em 2026, aguardava o registro da Anvisa para que a produção pudesse começar.
Desenvolvido pela pesquisadora Suélia Rodrigues na Universidade de Brasília (UnB), o dispositivo Rapha combina um curativo de látex natural com terapia de luz LED para acelerar a cicatrização de feridas crônicas em pessoas com diabetes, atuando diretamente na prevenção de amputações de membros inferiores.
Como Funciona o Dispositivo Rapha
- Látex natural: Estimula a regeneração dos tecidos da pele.
- Luz LED: Aplica fotobiomodulação para reduzir o tempo de recuperação das lesões.
- Certificação: O produto já conta com a certificação do Inmetro e aguarda a aprovação final da Anvisa para ampla distribuição comercial.
Outras Inovações Nacionais Relevantes
- Aplicativo de visão computacional: Criado para realizar avaliações rápidas do "pé diabético" por meio de fotografias tiradas pelo próprio celular do paciente.
- Foco na prevenção: Soluções digitais voltadas para ampliar o acesso a diagnósticos precoces de complicações vasculares e neuropáticas.
Se você quiser, posso detalhar mais sobre:
- O estágio atual de aprovação na Anvisa
- Outras formas de prevenção do pé diabético
Redação
Por Leon Lopes, jornalista
Fonte: Universidade de Brasília (UnB), Pesquisa FAPESP e estudo publicado no Annals of Biomedical Engineering.