A morte de uma pessoa muito próxima de sua família mudou completamente a vida de Jack Andraka. Ele tinha apenas 15 anos quando perdeu alguém que considerava praticamente um tio para o câncer de pâncreas. Até então, Jack mal sabia qual era a função desse órgão. Depois da perda, porém, começou a pesquisar obsessivamente sobre a doença.
Quanto mais lia, mais uma informação o incomodava: os métodos utilizados para detectar esse tipo de câncer eram baseados em tecnologias desenvolvidas décadas antes e, muitas vezes, o diagnóstico acontecia tarde demais. Segundo as informações que encontrou na época, quando os sintomas mais evidentes apareciam, as chances de sobrevivência já podiam ser extremamente baixas.
Em vez de apenas aceitar aquilo, Jack resolveu tentar encontrar uma alternativa.
Sem formação médica e ainda frequentando a escola, começou a analisar uma enorme lista com cerca de 8 mil proteínas, procurando algum marcador que pudesse indicar a presença da doença em seus estágios iniciais. Depois de examinar aproximadamente metade delas, chegou à mesotelina, uma proteína que poderia servir como possível sinal biológico.
Mas encontrar o marcador era apenas parte do problema. Ele ainda precisava descobrir uma maneira simples de identificá-lo.
A ideia que faltava surgiu quando Jack estudava nanotubos de carbono. Ele percebeu que poderia combinar esse material com anticorpos capazes de reagir à proteína que estava pesquisando. A partir daí, enviou sua proposta para diversos pesquisadores até conseguir espaço e orientação em um laboratório universitário.
Com esse apoio, desenvolveu um protótipo de sensor feito a partir de papel, criado para identificar pequenas concentrações da proteína em amostras biológicas de forma rápida e barata.
O trabalho chamou atenção nacional.
Em 2012, Jack apresentou sua pesquisa na Intel International Science and Engineering Fair, uma das maiores competições científicas para estudantes do mundo. Seu projeto conquistou o principal prêmio da feira, e ele terminou a competição com cerca de US$ 75 mil em premiações.
Pouco tempo antes, era apenas um estudante do ensino médio de Maryland pesquisando câncer por conta própria. Depois da competição, passou a dar palestras, apareceu em veículos como a Forbes, participou de um TED Talk e chegou a ser convidado para eventos na Casa Branca.
O que tornou sua história tão conhecida não foi apenas o resultado do projeto, mas o ponto de partida: aos 15 anos, sem diploma, sem laboratório próprio e motivado por uma perda pessoal, Jack Andraka decidiu investigar por conta própria um dos grandes desafios do diagnóstico precoce do câncer de pâncreas.
Redação ,JORNAL JRP INTERNACIONAL
jcidadern@hotmail.com
Por Leon Lopes, jornalista

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